1.Conceito de TI Verde

O conceito TI verde é uma expressão que tem sido utilizada pelo setor de tecnologia para incorporar a preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade. Apesar das discussões recentes sobre o assunto abordarem de forma predominante o consumo eficiente de energia, a análise sobre o tema pode ser ampliada. É importante avaliar ainda outros aspectos como o impacto da cadeia produtiva, o uso e reuso de recursos naturais, a reciclagem de equipamentos, a destinação final de resíduos, bem como a utilização de arquiteturas e processos que permitam uma maior vida útil para as infra-estruturas de tecnologia.

2. As Práticas de TI Verde

As práticas de TI Verde podem ser divididas em três níveis:

  • TI Verde de incrementação tática:
  • Não modifica a infra-estrutura de TI nem as políticas internas, apenas incorpora medidas de contenção de gastos elétricos excessivos. São exemplos, o uso de monitoramento automático de energia disponível nos equipamentos, o desligamento dos mesmos nos momentos de não-uso, a utilização de lâmpadas fluorescentes e a otimização da temperatura das salas. Estas medidas são simples de serem implementadas e não geram custos adicionais às empresas.
  • TI Verde Estratégico:
  • Exige a convocação de uma auditoria sobre a infra-estrutura de TI e seu uso relacionado ao meio-ambiente, desenvolvendo e implementando novos meios viáveis de produção de bens ou serviços de forma ecológica. São exemplos, a criação de uma nova infra-estrutura na rede elétrica visando à sua maior eficiência e sistemas computacionais de menor consumo elétrico (incluindo novas políticas internas e medidas de controle de seus descartes). Além da preocupação com a retenção de gastos elétricos, o marketing gerado pelas medidas adotadas pela marca é também levado em consideração.
  • Deep IT (TI Verde "a fundo"):
  • Mais amplo que os dois primeiros, incorpora o projeto e implementação estrutural de um parque tecnológico visando a maximização do desempenho com o mínimo gasto elétrico; isto inclui projetos de sistemas de refrigeração, iluminação e disposição de equipamentos no local com base nas duas primeiras estruturas anteriores (o que demanda um custo muito maior que as duas primeiras).

Sendo simples a implementação do TI Verde Tático (com vantagens significativas, porém limitadas), podemos observar a redução do consumo energético com o desligamento dos monitores em desuso - que representam 50% do total dos gastos elétricos quando o mesmo é de CRT e 30% ou menos quando são de LCD (fonte: PRADO, 2005).

Um exemplo efetivo de práticas de TI Verde Estratégico foi implementado pelo Banco Real no o ProjetoBlade PC, aplicado em 2007: o Banco substituiu 180 computadores convencionais por 160 Blade PCs, equipamentos que possibilitam ficar na mesa do usuário apenas o teclado, o mouse, o monitor e uma pequena caixa responsável pela conexão destes periféricos com o Blade PC. Como resultado, houve redução estimada de 62% da energia elétrica consumida pelos computadores e 50% da energia consumida pelo ar condicionado utilizado na Mesa de Operações; a economia estimada é de US$ 355 mil em 4 anos pela redução do número de micros; a manutenção mais barata dos mesmos, o gerenciamento centralizado e a facilidade de mudança de layout representam uma estimativa de economia de US$ 300 mil em 4 anos (fonte: YURI, 2008).

No nível mais radical, o Deep IT, temos como exemplos as seguintes empresas:

  • Google: pratica ações que incluem desde o planejamento de seu datacenter à locomoção dos funcionários com veículos híbridos e o consumo de energia alternativa como a solar;
  • Yahoo: com plano ambiental agressivo que inclui desde a construção de datacenters com produção de acordo com as normas e exigências ambientais.

3. TI Verde e as Empresas

Atualmente, existem alguns pontos em que se concentram as ações de TI Verde quando se trata do mundo corporativo: este foco, normalmente, é em função do resultado que se espera com o emprego das medidas e ações "verdes".

Um conjunto de práticas nos três níveis torna-se interessante para empresas, pois a aplicação de ações de TI Verde traz a redução de custos com energia elétrica como também as iniciativas de responsabilidade sócio-ambiental da instituição. Assim podem-se agrupar as ações em virtude destes resultados:

Redução do consumo de energia e das emissões de carbono

  • Atualização de sistema operacional e hardware: O desenvolvimento de projetos de atualização do parque de estações de trabalho pelas empresas tanto em termos de hardware como software são, hoje, os principais pontos de atuação que visam tanto a redução do consumo energético quanto a redução das emissões de carbono;
  • Virtualização de Servidores: utilização de software que "emula" uma máquina virtual como um servidor físico, criando assim, um ambiente isolado e independente da máquina "real". Deste modo, uma máquina física, dentro de sua capacidade de desempenho pode "hospedar" diversas máquinas virtuais independentes. (fonte: Microsoft®, Virtualization).

A utilização otimizada dos equipamentos físicos fornece a manutenção da ocupação física na empresa somada à expansão do desempenho, reduzindo assim as "pegadas ecológicas" que poderiam ser causadas pela aquisição de novos equipamentos como o aumento do espaço necessário e a energia correspondente para a sua refrigeração. Em termos de descarte de equipamentos, a virtualização auxilia na redução da contaminação ambiental ao substituir os equipamentos físicos com máquinas lógicas. (fonte: LYNCH, 2009)

  • Os Sistemas de Gestão Empresarial, conhecidos como ERP (Enterprise Resource Planning), são sistemas de informação que integram todos os dados de uma empresa, possibilitando a automação de todas as informações do negócio. As implantações de sistemas ERP reduzem custos, aperfeiçoam o fluxo de informação e o processo de gerenciamento (fonte: Wikipedia, ERP). Assim, com a redução dos riscos e oferecendo recursos que reduzem desperdícios na indústria, têm-se resultados diretamente ligados à sustentabilidade.

4. A TI Verde e a sociedade

Algumas ações simples e outras que exigem um pouco mais de conhecimento técnico podem ser adotadas pela sociedade afim de colaborar com a sustentabilidade do planeta. Exemplos como a aquisição de produtos desenvolvidos com materiais sustentáveis ou que sejam produzidos dentro de padrões classificáveis como "verdes" são atitudes que todos devem ter no momento da aquisição de um novo produto.

A sociedade e o e-lixo

O e-lixo (ou lixo eletrônico) é um termo designado para qualquer equipamento eletrônico que perdeu a sua vida útil e, conseqüentemente, foi descartado; podemos citar como exemplos um desktop, monitor, celular, dentre outros. Outra possível semântica para o e-lixo é para todos os equipamentos eletrônicos que não atingem o seu propósito original, ou seja, um produto que não consegue mais satisfazer as necessidades de seu dono. É importante ressaltar também que o significado de lixo eletrônico não deve ser confundido com o envio de publicidade via e-mail denominado spam. (fonte: VILELA, 2008)

Os produtos eletrônicos possuem em sua estrutura metais e compostos químicos como mercúrio, chumbo, cádmio, dentre outros que podem afetar diversas formas de vida - inclusive o ser humano - podendo causar dentre diversos males, anemia, câncer, problemas nos rins, pulmões e afetar o sistema nervoso e reprodutivo, podendo levar ao óbito.

Para tal, existe uma série de práticas que podem ser realizadas para o tratamento correto do e-lixo como o descarte correto em institutos e organizações que podem tratá-lo sem que cause impactos significativos ao meio ambiente (vide Apêndice com a relação de algumas entidades que utilizam os computadores usados ou comercializam sua sucata com empresas recicladoras), doá-lo quando em bom estado e com possibilidades de uso a quem precise dos mesmos, e reduzir o consumismo supérfluo de tendências.

A sociedade e a capacidade de processamento

Seguindo o raciocínio da famosa Lei de Moore - o qual cita que a cada 18 meses o tamanho dos microchips reduz-se pela metade -, antevemos que ainda nesta década, teremos o fim da era do silício mesmo com a impulsão da nanotecnologia, pois se alcançará o limite imposto pela física para o silício - que é da ordem de 50 nanômetros - quando efeitos quânticos tornarem-se apreciáveis.

O problema com as tecnologias existentes atualmente é que a fina camada de óxido de silício que reveste os transistores não impede que ocorram grandes vazamentos de eletricidade nos circuitos integrados, provocando superaquecimento e aumento do gasto de energia do equipamento.

O desafio da TI Verde está impresso também no projeto dos processadores; até alguns anos atrás, o aumento da freqüência do clock - que dava às máquinas mais poder de processamento - também fazia crescer, praticamente na mesma proporção, o consumo de energia e o calor gerado pela maior quantidade de transistores no chip.

A seguir, o objetivo foi reduzir o tamanho e o consumo de energia do chip por meio da substituição do material utilizado na fabricação dos transistores, o qual a Intel alcançou com o lançamento de seu processador Core 2 Duo, utilizando-se o háfnio. (fonte: VASCONCELOS, 2007).

O óxido de háfnio, um material de elevado dielétrico (ou high-k, em inglês), tem como principal característica a alta capacidade de armazenar cargas elétricas com menos dissipação de calor. Tudo isto aliado à alta capacidade de processamento, gerou CPUs cada vez mais eficientes, tanto computacionalmente quanto energeticamente. (fonte: VASCONCELOS, 2007).

No entanto, esta relação entre desempenho e consumo de energia pode ser avaliada pelo consumidor no momento da compra de um novo equipamento. Ou seja, a compra consciente do computador com o dimensionamento correto da utilização da capacidade de processamento (uso de computadores para jogos, navegação, atividades domésticas, tratamento de imagens dentre outros) deve fazer parte das ações para economia de energia, ajudando a conservar o planeta.

5. Conclusões

Com a crescente expansão da TI Verde, as empresas de pequeno e médio porte passaram a adotar tais medidas na busca pela sustentabilidade com ganhos econômicos e ambientais, antes seguidas somente por grandes empresas e corporações. Segundo pesquisas realizadas pela IBM, 66% das empresas de médio porte do país já acompanham os seus consumos de energia e 70% delas planejam ou já realizam atividades para reduzir o impacto ambiental. (fonte: ARIMA, 2009).

O conceito de TI Verde cresce também na sociedade mesmo que de forma inconsciente, já que a preocupação ambiental é assunto recorrente no dia-a-dia de todos. O que falta, de fato, é a conscientização do usuário doméstico de que a TI Verde também pode ser praticada em sua casa com pequenas mudanças de comportamento e ações voltadas à redução da emissão de CO2. Para tal, é necessário fazer uso da reutilização e reciclagem de equipamentos, investimentos (quando necessários) em suprimentos com "selo verde" e evitar a subutilização de sistemas, otimizando o uso de quaisquer produtos sejam eles eletrônicos ou não.